Obrigado, Paraty!

Obrigado, Paraty!

Talvez tenha sido Ana Martins Marques quem melhor resumiu o espanto e a satisfação que todos sentimos com o acolhimento que a Casa Amado e Saramago teve na FLIP (Festa Literária Interna- cional de Paraty) deste ano. No sábado, dia 29 de julho, a escritora brasileira lançou no espaço montado pela Fundação José Saramago e pela Fundação Casa de Jorge Amado o seu livro «Como se fosse a casa», escrito em parceria com o poeta Eduardo Jorge. Após ultra- passar as dezenas de pessoas que se concentravam na entrada da casa e desviar das que já estavam sentadas no chão, Ana Martins Marques finalmente chegou até a cadeira que ocuparia. Intrigada, quis saber por que havia tanta gente ali. Estavam todos para escutá-la e para a sessão de leituras de poesia que viria a seguir ao lançamento do seu livro. «Com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo em Paraty pensei que viriam só uns seis amigos», disse com a sua conhecida timidez.
Nos três dias em que a Casa Amado e Saramago esteve aberta foi assim: lotação completamente esgotada em todas as sessões, com pessoas sentadas nas cadeiras, no chão, na escada ou de pé; e várias dezenas fora, tentando espreitar pela janela e portas o que se passava lá dentro, ou simplesmente escutando, da rua, a conversa que as colunas de som transmitiam para fora.

Nem o mais otimista dos envolvidos nesse projeto podia imaginar que o público receberia com tanto interesse e carinho a nossa programação. Ao homenagear dois dos maiores nomes da literatura em língua portuguesa, abrimos espaço para escritoras e escritores lusófonos contemporâneos. Também procurámos dar voz e vez às mulheres e aos negros, que em outras edições da Flip estiveram sub-representados, e demos a conhecer a proposta de Declaração de Deveres Humanos em que há mais de dois anos a FJS vem trabalhando.

Voltamos de Paraty cheios de energia e de felicidade, com a sensação de que nosso trabalho tem relevância e público também do outro lado do oceano. E agora, passada a ressaca da festa, já estamos a trabalhar para que no próximo ano a nossa participação na FLIP não só se repita, mas se amplie.

Resta-nos dizer muito obrigado, Paraty. E também agradecer, nominalmente, a todos que fizeram possível a realização de uma casa feita de livros e de amizade: Adelaide Ivanova, Afonso Borges, Ana Kiffer, Alberto Mussa, Anabela Mota Ribeiro, Ana Martins Marques, Ana Menegatti, Andrea Zamorano, Bárbara Bulhosa, Charles e toda a sua equipa da Paratyshow, Clara Dias, Djaimilia Pereira de Almeida, Dja- mila Ribeiro, Edimilson de Almeida Pe- reira, Fred Ferreira, Frederico Lourenço, Giovana Xavier, Janete Santos Ribeiro, Joana Gorjão Henriques, Joselia Aguiar, José António Pinto Ribeiro, José Eduardo Agua- lusa, José Luís Peixoto, Julia Bussius, Lilia Zambon, Lívia Nes- trovsk, Luiz Eduardo Soares, Luiz Schwarcz, Maíra Nassif, Maria Cristina Antonio Jerónimo, Marcello Magdaleno, Max Santos, Núbia Santos, Ondjaki, Paloma Amado, Prisca Agustoni, Schnei- der Carpegianni e Valéria Martins. E também à Companhia das Letras, ao Ministério de Cultura de Portugal, à Adega Mayor, e à organização da Flip.

Editorial da revista Blimunda de agosto que pode ser lida aqui

 

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