Passarola “voou” em Belém do Pará

A Passarola de Bartolomeu de Gusmão “voou” em frente à Igreja de Santo Alexandre, em Belém do Pará, na segunda noite de representação do Memorial do Convento.

Como se lê no portal da Universidade Federal de Belém do Pará (UFPA) “para aqueles que estavam mais atrás, a impressão era de que ela [a Passarola] flutuava”. Esta era uma Passarola especial, construída em materiais da Amazónia especialmente para a maravilhosa encenação de Vera Barbosa de uma das obras mais conhecidas de José Saramago.

A própria encenadora, colocada na janela central da Igreja de Santo Alexandre, narrou a história à plateia paraense.  Outras  janelas da igreja e do Palácio Episcopal (antigo Colégio de Santo Alexandre) foram palco para o coro grego, operários da construção do convento e figurantes, personagens que complementaram a narração. Aos atores portugueses do Grupo Éter que desempenharam os papéis de Blimunda, Baltasar e Padre Bartolomeu de Gusmão juntaram-se professores e alunos da Escola de Teatro e Dança da UFPA e músicos da Orquestra de Violoncelistas da Amazónia, dirigidos pelo professor Áureo de Freitas. Participam também cantores da Schola Gregoriana “Ad te levavi”, um projeto de extensão da Escola de Música da UFPA, com arranjo e direção do professor André Gaby.

“Desprendeu-se a vontade de Baltasar Sete-Sóis, mas não subiu para as estrelas se à terra pertencia e a Blimunda”. O elenco, então, entoou as últimas palavras do teatro musical: “A morte vem antes da vida. Morreu quem fomos, nasce quem somos. Por isso é que não morremos de vez.”

Terminado o espetáculo, atores, músicos e equipas da produção subiram ao palco, embalados por All the lonely people, dos Beatles, executada pela Orquestra de Violoncelistas da Amazónia.A diretora da Editora da UFPA, Simone Neno, agradeceu a todos em nome do reitor Carlos Maneschy e da presidenta da Fundação José Saramago, Pilar del Río, usando, ao final, um trecho de uma saudação enviada de LIsboa por Pilar del Río: “Passaram trinta anos desde que José Saramago escreveu Memorial do Convento, mas qualquer dos que hoje ou amanhã tenham a sorte de ver o vosso trabalho pensarão que este romance foi escrito para vocês, para ser espetáculo concebido e representado por amigos do mais belo que existe no mundo: a generosidade, o amor desinteressado pela criação artística e pela bondade humana. Assim, unidos, levaremos no coração o escritor que nos ofereceu sonhos e força para tentarmos ser, a cada dia, mais humanos e, portanto, mais sábios.”

 

 

Portal da UFPA

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