Prémio Nacional de Jornalismo de Espanha atribuído a Juan Cruz

Juan Cruz ganhou o Prémio Nacional de Jornalismo de Espanha. Poderia ter sido também o de Literatura, porque no mundo das letras – poesia, romance, ensaio, crónica – Juan Cruz percorreu todos os recantos e em todos deu mostras de uma deliciosa sensibilidade e de uma mestria que continua a surpreender muita gente.

Jornalista e escritor, durante cinquenta anos Juan Cruz não deixou de escrever, indagar, interrogar-se e interrogar para, agora, com as mãos cheias, poder mostrar as dúvidas que nos humanizam a todos. Juan Cruz soube tirar partido da vida, agarrando-a com a curiosidade da criança asmática que, na cama, ouvia a rádio e massacrava a mãe com porquês a que a pobre não podia responder. Depois foi aos sábios, aos filósofos, aos donos do mundo e talvez tenha completado ideias e obtido algumas respostas que o tornaram merecedor deste prémio que une tantas pessoas como Juan Cruz tratou desde que em Tenerife era menino e fazia aviões de papel, ou chegou a um Madrid boémio onde se fez maior, ou agora, no mundo sem fronteiras onde mora. Sem fronteiras e com telefones, para poder ditar vários artigos ao mesmo tempo.A Fundação José Saramago felicita Juan Cruz e ao júri que lhe atribuiu o Prémio Nacional: conceder prémios aos que elevam a categoria do nosso tempo é função do Estado, desse que todos formamos e mantemos por vezes com tanta dificuldade.

Na Casa dos Bicos de Lisboa não podemos esquecer que foi Juan Cruz quem acompanhou José Saramago, no seu regresso de Frankfurt, quando recebeu a noticia de que lhe tinham concedido o Prémio Nobel. Também o acompanhou na última viagem, no avião que trouxe a urna de Lanzarote para Lisboa, a terra que o acolhe. Pelo meio, centenas de horas de conversa, aqui, ali, em vários continentes, em muitas cumplicidades e alegre camaradagem. José Saramago não está cá para felicitar Juan Cruz mas hoje, vendo as entrevistas que Juan Cruz fez a José Saramago, sabemos que o Prémio Nacional está bem entregue. Tantas, tão boas, e que capacidade de revelar tão amável e séria.

Felicidades, Juan Cruz. E continua a escrever, mas não jornais inteiros, por favor. Ainda que possas, ainda que a urgência te pressione e precises ser inteiro em mil palavras a cada dia, celebra hoje com os teus leitores um prémio que a todos toca e dignifica. E outros que façam os jornais de hoje.

 

Pilar del Río

(foto Gorka Lejarcegi, El País)

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