Primeiro Prémio Europeu Helena Vaz da Silva vai para o escritor italiano Claudio Magris

O escritor italiano Claudio Magris, 74 anos, venceu o primeiro Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a divulgação do Património Cultural, instituído pela Europa Nostra em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Clube Português de Imprensa.

Quando o prémio foi divulgado, na noite de domingo, Claudio Magris, passeava-se (e passeia) pelo alto mar, segundo uma nota divulgada pelo Centro Nacional de Cultura, e enviou uma mensagem ao presidente do júri, Guilherme d’Oliveira Martins (presidente do Centro Nacional de Cultura) na qual expressa a “mais profunda gratidão por este grande, generoso e totalmente inesperado reconhecimento” que “chega de um país que sempre esteve presente na minha fantasia, nos meus interesses, no meu imaginário”. “Não sou um lusitanista e infelizmente não falo português, mas a história, a civilização e a literatura desse pequeno grande país sempre desempenharam para mim um importante papel, sempre me estiveram presentes. Talvez porque se trata de uma enorme civilização de mar, elemento essencial da minha sensibilidade e do meu ser, de um pequeno país que se tornou num império do mundo – no mais lato sentido do termo e não só no político – e como poucos outros foi um teatro de encontro, e como sempre também de confronto, em suma, um palco de protagonismo no grande teatro do mundo”.

Magris escreveu um prefácio à “Viagem a Portugal”, de José Saramago, no qual comenta: “Neste livro, que sinto extraordinariamente próximo do meu contínuo vagabundear no mundo e na cabeça, a viagem também penetra não só no espaço mas sobretudo no tempo; é experiência da sua plenitude e da sua fugacidade e ao mesmo tempo guerrilha contra esta última, desejo de reter a tarde que foge e amanhã já não será a mesma, de fazer parar o tempo ou de o manter bem seguro errando no espaço”.

O prémio Europeu Helena Vaz da Silva tem como objetivo distinguir um cidadão europeu que, ao longo da sua carreira, se tenha distinguido pela sua atividade de divulgação, defesa e promoção do património cultural europeu através de obras literárias, artigos, crónicas, fotos, séries documentais, filmes e programas de rádio e/ou de televisão publicados ou emitidos nos diversos meios de comunicação. O júri é composto por Antonio Foscari, Francisco Pinto Balsemão, Irina Subotic, João David Nunes, José María Ballester e Piet Jaspaert, sob a presidência de Guilherme d’ Oliveira Martins. A entrega do prémio, no valor de 10 mil euros, será em outubro na Fundação Gulbenkian.

O júri destaca o conhecimento que Claudio Magris tem da Europa “enquanto espaço de diálogo e de intercâmbio cultural é muito perceptível, especialmente na sua obra sobre o Danúbio”, cujo tema principal é uma incursão e um pretexto para explorar e dissertar sobre a cultura centro-europeia, “mas igualmente em toda a sua rica produção literária”.

Nesta primeira edição do prémio, que homenageia a jornalista Helena Vaz da Silva (1939-2002), foram atribuídas menções honrosas a Olivér Kovács e Ozgen Acar. “O primeiro pela mobilização dos cidadãos a favor do Património da Hungria, e o segundo pela luta internacional contra o tráfico ilegal de tesouros do Património com origem na Turquia”.

Na foto, Claudio Magris em Lanzarote, uma das últimas visitas que José Saramago recebeu

Público

Centro Nacional de Cultura

DN

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