Recordando o escritor e amigo Eloy Martínez

Carlos Fuentes, Gabriel García Márquez, Belisario Betancourt, José Saramago e Tomás Eloy Martínez (foto Victor Serra, 2004)


Há quatro anos a família de Tomás Eloy Martínez preparava-se para se despedir do escritor argentino, que morreu aos 75 anos depois de uma longa luta contra um cancro que não o impediu, até os últimos dias de vida, de fazer o que melhor sabia na vida: escrever. Para o funeral, os filhos de Eloy Martínez cuidaram de que o seu último desejo fosse realizado: servir gin tonic e tocar Piazzolla durante a cerimónia de adeus.

Autor de A Novela de Perón e Santa Evita, dois livros que pertencem ao imaginário coletivo argentino e que ajudaram a construir (ou reconstruir) a história do país, T. E. M. dedicou sua vida à palavra. Além de escritor (Prémio Alfaguara de 2002 com O Voo da Rainha), foi um jornalista consagrado (recebeu em 2009 o prestigiado Prémio Ortega y Gasset) que, por conta do seu bom trabalho de denúncia a propósito de um massacre numa prisão, teve que exilar-se do país. Exerceu dentro do jornalismo praticamente todas as funções – de revisor a chefe de redação –, e durante décadas foi também professor universitário.

Como poucos, T. E. M. soube utilizar-se das ferramentas do jornalismo para construir literatura e brincar com os limites entre ficção e a realidade. Sergio Ramírez disse certa vez, ao lembrar o amigo, que Tomás Eloy havia «desafiado a história» e a havia derrotado.

Escritor hasta la muerte

(Texto de Sergio Ramírez publicado por El Malpensante)

Dias antes de falecer, deixou uma carta a seus filhos em que lamentava os anos que não pôde passar ao lado deles por causa do exílio, e dizia sentir que a morte se aproximava: «sinto curiosidade em ver o outro lado, ainda que francamente não creia que exista nada». Na sua lápide, a família mandou gravar uma frase que resume bastante bem a sua maneira de enfrentar a vida: «Nos pasamos la vida buscando algo que ya hemos encontrado». Neste dia 31 de janeiro, nestes quatro anos da morte de Tomás Eloy, enviamos de Lisboa um enorme abraço à família e aos amigos da Fundação TEM que realiza um exemplar trabalho de fomento à cultura e ao jornalismo na Argentina e na América Latina.

 

Na edição de maio de 2013, a Blimunda, revista da Fundação José Saramago, publicou um texto escrito por Tomás Eloy Martínez em 1967. Trata-se da primeira crítica feita sobre Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez. 

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