Sessão de lançamento do livro Um Agente Português na Roma do Renascimento – 1 de outubro, 18h30

No próximo dia 1 de outubro, a Fundação José Saramago recebe a sessão de lançamento do livro Um Agente Português na Roma do Renascimento (ed. Temas e Debates – Círculo de Leitores), do historiador Paulo Lopes. Para apresentar a obra estará presente João Paulo Oliveira e Costa. Fernando Alves lerá passagens desta obra e do livro A Viagem do Elefante, de José Saramago.
A entrada é livre, sujeita à lotação da sala.
Após o início da sessão, será vedado o acesso ao auditório (4.º andar) por elevador

Alguns animais exóticos foram notáveis protagonistas da diplomacia portuguesa do século XVI. Os mais famosos foram dois elefantes e um rinoceronte. Lá fora estes três paquidermes ganharam a celebridade, sendo imortalizados em murais, gravuras, nomes de ruas, poemas, monumentos, pinturas, entre outros registos culturais e artísticos. O mais tardio foi Salomão, tal como Hanno (enviado a Roma em 1514, ao papa Leão X), um elefante indiano.

Em comum destaca-se o facto de terem desempenhado um papel central em importantes eventos da política internacional da Europa renascentista no século XVI. E, quando enviados, todos foram devidamente acompanhados de luxuosíssimos séquitos que integravam outros animais exóticos e jóias várias.

Motivo de inspiração para o romance de José Saramago, A Viagem do Elefante(2008), Salomão foi enviado como prenda ao sobrinho do rei D. João III: Maximiliano, Rei da Boémia e da Hungria e príncipe coroado do Sacro Império Romano-Germânico. O faustoso séquito desembarcou em Génova, atravessou os Alpes do Tirol e, seguindo depois pelos rios Inn e Danúbio, chegou a Viena em Março de 1552, onde foi recebido sob imenso júbilo popular.

Por onde passaram, estes animais deixaram marcas profundas que até hoje perduram no imaginário e em monumentos bem concretos. A memória histórica destes animais marcou a paisagem da nossa projecção geopolítica, tal como o fizeram os padrões, as feitorias, as fortalezas, as igrejas, a toponímia, as simples palavras ou a língua que deixámos pelos quatro cantos. A história destes animais tem, por isso, um profundo significado simbólico e político.

Em suma, estes três animais das longínquas terras tocadas pelos portugueses na sua aventura ultramarina pontuaram a extraordinária e rápida ascensão de Portugal como primeira potência comercial globalizadora. Mais do que a pimenta, a canela, a noz-moscada, o gengibre e o cravinho – que estimularam a Expansão portuguesa pelos oceanos –, mais do que as jóias verdadeiras, o coral, o marfim, as porcelanas, a seda e os tecidos finos, estes bizarros animais preencheram o imaginário dos europeus. Faziam parte do mundo longínquo, “estranho” e maravilhoso, que a maioria não conhecia, nem nunca visitaria.

Dois elefantes e um rinoceronte, que ficaria célebre por uma gravura em madeira e um desenho do famoso Albrecht Dürer, foram os exóticos protagonistas de jogos de poder internacionais. No seu conjunto, estes três invulgares “embaixadores” foram o culminar da projecção internacional de Portugal, distanciados pelo curto espaço de tempo de uma geração. Ou seja, separados pela passagem de pai para filho, de D. Manuel I para D. João III.

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