Sobre José Emilio Pacheco, tristemente

Carlos Fuentes, Gabriel García Márquez, Carlos Monsiváis, José Emilio Pacheco, José Saramago, Alejandro Iñárritu

Carlos Fuentes, Gabriel García Márquez, Carlos Monsiváis, José Emilio Pacheco, José Saramago e Alejandro González Iñárritu em Guadalajara, México

 

 «Nem sequer sou um dos melhores do meu bairro, sou vizinho de Juan Gelman», respondia o mexicano José Emilio Pacheco quando lhe diziam que era um dos melhores poetas latino-americanos. Esse poeta e homem simples morreu no domingo, dia 26, na Cidade do México aos 74 anos.

«Perde-se um homem pensante, que faz muitíssima falta neste momento, em um México tão violento e tão terrível», disse a escritora franco-mexicana Elena Poniatowska, amiga pessoal de Pacheco, e como ele Prémio Cervantes – ela recebeu o galardão em 2013, e ele, em 2009.

«El país en el que habitan los poetas inmortales cada vez es más grande. Quizá también los corazones de los lectores, pero el pobre planeta Tierra se oscurece. Tristemente», escreveu a presidenta da Fundação José Saramago, Pilar del Río, sobre a morte de José Emilio Pacheco.

 

Muere el escritor José Emilio Pacheco, obituário do poeta 
(
La Jornada)

 

José Emilio Pacheco era frequentemente descrito como uma pessoa simples, que não se sentia confortável quando recebia elogios, prémios e homenagens. Dedicou toda a vida à literatura, e além da poesia produziu ensaios, trabalhou como tradutor e escreveu prosa (crónicas, romances e contos).

Pela qualidade da sua obra e também pela sua simpatia, era muito querido no ambiente literário, em especial dentro de seu país e entre os jovens. Poniatowska, em um ensaio republicado nesta segunda-feira pelo jornal mexicano La Jornada, escreveu sobre essa empatia dos jovens por Pacheco: «José Emilio é amado pelos jovens porque, além de um grande poeta, é um poeta com vocação de serviço, o herói moral que pede Saramago.»


José Emilio Pacheco y los Jóvenes, Ensaio de Poniatowska 
(La Jornada)

Neste mês, o mundo literário já havia perdido a Juan Gelman, agora fica sem Pacheco. No dia 15, sobre a morte do amigo Gelman, o poeta mexicano escreveu: «Era por otra parte el hombre más humilde, más generoso y más cordial que recuerdo. Juan Gelman no volverá pero tampoco se irá nunca.»

 

La travesía de Juan Gelman, último texto escrito pelo poeta
(
Proceso)

 

La lengua es mi única riqueza
(El País)

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