Teatro: Como assim levantado do chão (a partir da última frase do romance de José Saramago)

Teatro: Como assim levantado do chão (a partir da última frase do romance de José Saramago)

Espectáculo de teatro construído a partir da última frase de Levantado do Chão de José Saramago. Texto de Miguel Castro Caldas | Composição Musical de Teresa Gentil | Criação e Interpretação de Carlos Marques e Susana Cecílio. De 13 a 23 Novembro no Centro Cultural da Malaposta – quinta a sábado 21h30 / domingos 16h00.
Informações e reservas: 219 383 100 | 966 739 388 | malaposta@malaposta.pt | riseup.projecto@gmail.com
Aceda: http://riseupprojecto.wordpress.com/
e https://www.facebook.com/riseup.projecto

Texto do sobre a obra:

Dois actores e o Gaspar (o cão Constante).
O romance Levantado do Chão de José Saramago, editado em 1980, narra quatro gerações da vida de uma família de trabalhadores rurais do Alentejo, os Mau Tempo, e termina num momento logo a seguir ao 25 de abril de 1974 com todos os trabalhadores, os vivos e os mortos a chegarem ao dia Levantado e Principal, numa alusão a uma espécie de ressurreição dos Mortos laica, resgatando assim a memória dos que a História das instituições sempre esquece. Consiste esta chegada à ocupação das terras agrícolas, no início do processo chamado de reforma agrária. Ocuparam-se terras (dito neste modo pretérito já não está no livro), que depois foram nacionalizadas, formaram-se cooperativas, houve um período, curto mas talvez inédito na história, em que os trabalhadores rurais tiveram garantias no trabalho. Mas nunca os modos de produção foram contestados. Continuou-se a produzir o trigo como se o Alentejo ainda fosse o celeiro de Portugal, preconizado por Salazar. Não houve nenhuma reflexão sobre o como nem o que se devia cultivar nas terras ao sul do Tejo, tirando talvez algumas honrosas excepções. Ao cabo de poucos anos acabaram os governos da nação aos poucos por devolver as terras aos antigos latifundiários e ainda hoje está o estado português a pagar pesadas indemnizações a mando do tribunal europeu a essas famílias regressadas. E a sensação com que se fica,

Entre o fim do romance e o fim da leitura do romance, hoje dia 27 de outubro de 2014,

É que os trabalhadores rurais, naquele dia dito Levantado e Principal, estavam a entrar numa armadilha, quase que podemos imaginar os trabalhadores a entrar, cantando, pelas terras adentro, passando todos por baixo de um portão que dissesse a Agricultura Liberta. Era a Agricultura que Libertava? Era o Trabalho? É a Cultura? Será o secretariado da Cultura, antigamente secretariado da Propaganda? Será esse portão o da entrada do Parque do Povo, onde os antigos trabalhadores que mal eram pagos para produzir o pão, são agora os seus filhos e netos mal pagos para fazerem de seus filhos e netos como se o tempo não tivesse sido interrompido a meio da história, meio da história esse que consistiu, precisamente, no momento em que termina o Levantado do Chão? Onde é a bilheteira?

 

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