Texto #9: Blimunda, um amor de entranhas

TEXTO #9:

“Essa senhora [Blimunda] fez-se a si própria. Nunca a projectei para ser assim ou assim… Foi no processo da escrita que a personagem se foi formando. E ela surge, surgiu-me com uma força que, a partir de certa altura, me limitei a… acompanhar. Aquele sentimento pleno de personagem que se faz a si mesma é a Blimunda. Mas, é curioso, só no fim me apercebi de que tinha escrito uma história de amor sem plavras de amor… Eles, o Baltasar e a Blimunda, não precisaram afinal de as dizer… E no entanto, o leitor percebe que aquele é um amor de entranhas… Julgo que isso resulta da personagem feminina. É ela que impõe as regras do jogo… Porquê? Porque é assim na vida… A mulher é o motor do homem. Se você vir, os meus personagens masculinos são mais débeis, são homens que têm dúvidas, são personagens masculinos com complexos… As mulheres, não.”

José Saramago, entrevista ao Público, Lisboa, 9 de Maio de 1991, in José Saramago nas suas palabras (2010)


Durante o mês de março, seguindo a sugestão dos amigos argentinos do Mundo Blimunda, a Fundação recuperará palavras de Saramago sobre as mulheres. Veja os textos anteriores:  

TEXTO #1
TEXTO #2
TEXTO #3
TEXTO #4
TEXTO #5
TEXTO #6
TEXTO #7
TEXTO #8

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