José Saramago / A Obra / Bibliografia

Cadernos de Lanzarote I

Cadernos de Lanzarote I
1992

Escrever um diário é como olhar-se num espelho de confiança, adestrado a transformar em beleza a simples boa aparência ou, no pior dos casos, a tornar suportável a máxima fealdade. Ninguém escreve um diário para dizer quem é. Por outras palavras, um diário é um romance com uma só personagem. Por outras palavras ainda, e finais, a questão central sempre suscitada por este tipo de escritos é, assim creio, a da sinceridade

José Saramago

Loja

Portugal

Cadernos de Lanzarote I

2016 (1ª edição na Porto Editora; 3ª edição)


Idioma
Português

A caligrafia da capa é da autoria da pintora Graça Morais.

«Este livro, que vida havendo e saúde não faltando terá continuação, é um diário.» Em 1994, tendo saído de Portugal após ter sido alvo de censura pelo governo de Cavaco Silva no episódio da candidatura de O evangelho segundo Jesus Cristo ao Prémio Europeu de Literatura, Saramago editava o primeiro dos seus polémicos Cadernos de Lanzarote. Uma amostra: «7 de agosto: Parabéns de Jorge Amado e Zélia pelos prémios. Que outros virão, ainda maiores, acrescentam, aludindo ao que consta ter sido dito por Torrente Ballester – que um destes dias me chega aí um telefonema de Estocolmo… Se esta gente acredita realmente no que diz, por que tenho eu tanta dificuldade em acreditar?» Entre palavras, lança ideias sobre o livro no qual trabalhava de momento: Ensaio sobre a cegueira.