Fundação
José Saramago

excerto do dia
28 Julho, 2026

Último Caderno de Lanzarote

Quem lê, lê para quê? Para encontrar, ou para encontrar-se? Quando o leitor assoma à entrada de um livro, é para conhecê-lo, ou para se reconhecer a si mesmo nele? Quer o leitor que a leitura seja uma viagem de descobridor pelo mundo do poeta (designo agora por poesia, se me permite, todo o trabalho literário), ou, sem o querer confessar, suspeita que essa viagem não será mais do que um simples pisar novo das suas próprias e conhecidas veredas? Não serão o escritor e o leitor como dois mapas de estradas de países ou regiões diferentes que, ao sobreporem-se, tornados até certo ponto, um e outro, transparentes pela leitura, se limitam a coincidir algumas vezes em troços mais ou menos longos de caminho, deixando, inacessíveis e secretos, espaços não comunicantes, para onde apenas circularão, sozinhos, sem companhia, o escritor na sua escrita, o leitor na sua leitura? Mais concisamente: que compreendemos nós, de facto, quando procuramos apreender, outra vez em sentido lato, a palavra e o espírito poéticos?

(Da conferência "O autor como narrador omnisciente", 1999)

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#163

A revista Blimunda é uma publicação mensal, digital e gratuita editada pela Fundação José Saramago. Em dezembro de 2020 foi publicado o centésimo número da revista

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“Tomemos então, nós, cidadãos comuns, a palavra e a iniciativa. Com a mesma veemência e a mesma força com que reivindicarmos os nossos direitos, reivindiquemos também o dever dos nossos deveres. Talvez o mundo possa começar a tornar-se um pouco melhor”

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